O advogado empresarial Daniel Alvarenga, sócio do escritório Franco Advogados, concedeu uma entrevista exclusiva ao jornalista Germano Oliveira no Jornal BC TV, do portal Brasil Confidencial, nesta quinta-feira (5). Na entrevista, Alvarenga falou dos impactos do Open Finance, sistema financeiro aberto que promete maior inclusão e competitividade no setor bancário. O advogado também comentou sobre sua participação nos grupos de trabalho do Banco Central na implementação do Pix, além da assessoria a empresas estrangeiras interessadas em ingressar no mercado brasileiro.
Segundo Alvarenga, o Open Finance é o novo pilar do mercado financeiro e tem potencial para democratizar o setor ao permitir que cidadãos tenham maior controle sobre seus dados bancários e acessem serviços financeiros mais competitivos. “O mercado financeiro ainda é muito fechado e concentrado em poucos bancos. O Banco Central já tentou reduzir juros e o spread bancário de várias formas e não conseguiu. Agora, com o Open Finance, isso pode mudar. O sistema trará mais concorrência e, consequentemente, mais democracia financeira”, afirmou.
Um dos benefícios mais diretos para os usuários é a possibilidade de compartilhar seus dados bancários com fintechs e instituições financeiras alternativas, permitindo melhores condições de crédito e serviços personalizados. “Se uma pessoa for uma boa pagadora, ela pode pedir ao Itaú ou ao Bradesco para compartilhar seus dados bancários com novas entrantes, como fintechs, que oferecem taxas muito mais competitivas”, explicou Alvarenga.
O advogado destacou que o sistema já está impactando positivamente pequenos empreendedores, que antes precisavam vender seus créditos da maquininha de cartão para os bancos em troca de antecipação financeira. “Com Open Finance e Pix, eles já estão recebendo imediatamente os valores sem a necessidade de recorrer às instituições bancárias”, disse. Além disso, ele citou a redução de custos operacionais com o Pix automático, modalidade que será viabilizada pelo Open Finance. “Hoje, um débito automático pode custar até 40 centavos para quem recebe. Com o Pix automático via Open Finance, esse custo cairá para apenas 3 centavos, uma economia de 37 centavos por depósito”, exemplificou.
A respeito do impacto estrutural do Open Finance, Alvarenga comparou a iniciativa à implementação da Bolsa de Valores de São Paulo. “A Bolsa foi criada de maneira semelhante ao Open Finance, com autorregulação por entes privados e chancela do Banco Central. Nem preciso dizer o quanto isso revolucionou o mercado financeiro. Não tenho dúvidas de que estamos diante de uma nova grande revolução”, afirmou.
Outro efeito do novo sistema será o surgimento dos chamados super apps, plataformas que permitirão ao usuário gerenciar toda a sua vida financeira em um único aplicativo. “Essa integração permitirá que o consumidor tenha acesso a diversos serviços bancários sem precisar recorrer a múltiplas instituições”, disse Alvarenga.
Sobre a fiscalização do setor, o advogado ressaltou que a busca por transparência será um fator determinante para o sucesso do Open Finance. “O Banco Central está atento ao desenvolvimento desse sistema e trabalha para garantir que a concorrência seja real e que haja transparência na precificação de taxas e spreads bancários”, concluiu.
O livro de Daniel Alvarenga, “Open Finance – Sistema Financeiro Aberto”, já está disponível e aborda os avanços dessa nova estrutura e suas implicações no Brasil e no mundo. Segundo ele, a iniciativa trará mais cidadania financeira e educação sobre o setor, permitindo um mercado mais democrático e acessível para todos.
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